Súplica
Venho, por este meio, pedir encarecidamente aos meus vizinhos bloguistas que não escrevam mais nada, que ponham os seus blogues na pausa, que evitem os faits divers, que se inibam de pensamentos construtivos, que ignorem as histórias engraçadas, que não leiam notícias, enfim, que vivam uma vida monótona e desinteressante, até eu ter tempo de ler todos os posts atrasados. Já só me faltam 172
Obrigada!
P.S. É um pedido razoável, não é?
sapo sapato
Os colegas do apoio costumam trabalhar com os meninos na biblioteca. O espaço é tão pequeno, que mesmo não querendo, sigo a aula toda.
Hoje, dois meninos trabalhavam a letra S. A Sara tem um sapato. O sapato está na sala. O sapo viu o sapato. O sapo salta atrás do sapato. Lia um. O outro bufava à menção da palavra sapo. Vou-te bater lá fora. Estás a dar-me azar. A professora primeiro ignorou, depois não se deu por achada. Mas que é isto? O que se passa? Porque estás tão nervoso? É aquela palavra que ele está a ler. Mas que palavra?!… Sara?!… Sapato?!… Não,… a outra. Sapo?!… Essa, essa. Se a minha mãe tiver azar a culpa é tua. Vou-lhe dizer que a culpa é tua. Está bem, diz-lhe que a culpa é minha por ler o que está no livro. É só uma palavra, Zé!

Às moscas
Para além da biblioteca A, também dou apoio, uma vez por semana, à biblioteca D (não referida anteriormente). A escola é pequena, só tem duas turmas. As instalações são novas, a biblioteca foi toda equipada, mesas, cadeiras, estantes, sofás, uma televisão e um leitor de DVD, só se esqueceram dos livros (ah, e do cabo para ligar o leitor de DVD à televisão), pormenores! Faço 20 quilómetros para lá chegar por uma estrada em mau estado. O porta-bagagens vai cheio de livros. Sou a biblioteca itinerante deles.
Hoje quando cheguei, fiquei desconsolada. A biblioteca estava tal e qual a deixara na semana anterior: as mesas afastadas para um canto, as cadeiras no centro da divisão, tudo preparado para eles assistirem a um filme. Mas o pior era o lixo. As cadeiras sujas, como se alguém lhes tivesse posto os pés em cima, as mesas com restos de borracha e riscos de lápis, e o chão, bem o cheio estava cheio de… moscas! Todas mortas, é verdade, mas eram moscas. Fiquei logo desorientada. A escola A funciona em instalações provisórias, bem velhas e usadas, mas está sempre limpinha. Chamei logo a atenção a uma assistente operacional que não aceitou de bom grado o reparo. Bellinha, Bellinha, precisas de ser mais diplomática, ou ainda te voltas a “tramar”.
Às moscas também têm andado este blogue por falta de tempo para o actualizar.
35, 29, 27, 26
Ninguém sabe quantas horas um professor bibliotecário deve ter marcadas no horário. A RBE é vaga, apenas refere que são 35 com espaço para reuniões e trabalho individual. Isso deixou lugar a diferentes interpretações por parte das escolas que marcam 29, 28, 27 ou 26. Outras ainda, a minha incluída, querem marcar as 35. Ora com 35 horas marcadas no horário, teríamos de cumprir 7 horas diárias, ou seja, um horário das 9 às 17. E se tivéssemos uma reunião às 17? Pagavam-nos horas extraordinárias ou muito simplesmente não íamos? Fomos negociar com a direcção e conseguimos as 26 semanais. Um professor bibliotecário que tenha ficado num agrupamento com poucos alunos tem 13 horas de biblioteca, meio horário, nós que estamos a tempo inteiro temos 26, parece-me lógico.
Pó dos Livros

Vista geral da biblioteca A, a minha, antes de lhe pôr as mãos.
Tenho um pouco de dificuldade em explicar o que faço o dia inteiro, o trabalho parece que não rende e cada vez há mais para fazer.
Esta semana, a terceira, procedemos à entrega dos livros aos alunos do 1.º ano; continuámos a selecção de documentos a adquirir, há dificuldade em encontrar material não livro e, claro, temos de nos refrear na compra de literatura infantil (as diferentes classes devem ficar equilibradas) e reorganizámos o espaço de uma biblioteca e meia.
Fico triste, mas tento não o deixar transparecer, quando visito as outras bibliotecas a cheirar a novo, com móveis bonitos e coloridos. Para o ano, a minha também estará assim, mas por enquanto está como vêem na fotografia. Há muito a fazer, antes da “inauguração”, a começar pelas cortinas que odeio, a continuar nos computadores do tempo dos afonsinos que não trabalham e a terminar nos livros. Ai, os livros! Há de tudo ali, tudo misturado, a história com as ciências, a literatura com as artes e lá no meio aparecem livros para adultos (não esses que estão a pensar, os outros de Aquilino ou Eça). Passei a manhã de volta das estantes e saí de lá com as mãos pretas e os pulmões cheios de pó, é o chamado pó dos livros (não, não é a livraria).
Segunda semana
Numa palavra: cansaço.
A começar a semana uma desilusão. Visitámos pela segunda vez a que vai ser a minha biblioteca e descobrimos que servia para tudo menos lavar a loiça – sala de reuniões, reprografia, sala de apoio, sala de expressões, auditório,… As colegas não têm outra sala de trabalho. Como vou transformar aquilo numa biblioteca?
A semana passou a correr, entre preparação da entrega de livros aos alunos do 1.º ano, reunião geral, reunião de departamento, reunião da equipa da biblioteca, selecção de livros a adquirir,… Jornadas das 9 às 17, sem tempo para descansar.
No meio disto tudo, fui ao médico e descobri que tenho o colestrol elevado.
Gripe Ah Ah
Descaradamente roubado ao Educação do Meu Umbigo.
3 medidas hilariantes que ouvi/li esta semana:
O sítio mais propício a contágio, numa escola, é a sala de professores porque, convenhamos, os profs são uns badalhocos promíscuos que não têm um lugar fixo, sentam-se ora nesta mesa, ora naquela e enconstam-se todos ao mesmo balcão.
Medida n.º 1 – antes de se sentar, o professor deve desinfectar a cadeira e a mesa com álcool.
Imaginem a cena, intervalo grande, 20 ou 30 docentes chegam ao mesmo tempo à sala de professores e sacam do álcool e do algodão… Sentem o cheirinho no ar? Desinfecta as vias respiratórias que é uma beleza!
Outro foco de contágio é o livro de ponto. De 90 em 90 minutos, às vezes de 45 em 45 minutos, muda de mãos, todos lhe tocam.
Medida n.º 2 – desinfectar o livro de ponto com álcool. De preferência na página dos sumários, digo eu.
Os livros requisitados para empréstimo domiciliário são sérios candidatos ao transporte do vírus.
Medida n.º 3 – Quando os livros são devolvidos devem ser colocados em quarentena.
Primeira semana
Primeiro dia, primeira novidade – vou coordenar uma biblioteca do 1.º Ciclo. Socorro! Nunca dei aulas no 1.º Ciclo. Fiz estágio numa turma de 4.º ano, mas onde é que isso já vai.
O meu agrupamento tem 4 bibliotecas, uma na escola sede, na Rede desde 2000, e 3 em fase de instalação, em diferentes escolas do 1.º Ciclo. Somos 3 professores bibliotecários.
Primeira tarefa – conhecer as bibliotecas novas.
Biblioteca A – a escola está em obras. As obras estão paradas. O empreiteiro faliu. A escola funciona provisoriamente no quartel de cavalaria. As instalações são antigas, as casas de banho um pavor, disseram-me que algumas ainda têm buraco no chão para as necessidades, as salas são frias e húmidas. Têm algumas estantes numa sala a que chamam biblioteca, os livros pareceram-me velhos e cansados, alguns do tempo do antigo regime.
Biblioteca B – a escola está em obras. Meia dúzia de operários a assentar um chão devagar, devagarinho. O empreiteiro (é o mesmo da Biblioteca A) ou não lhes paga, ou não tem dinheiro para comprar materiais. A escola funciona no pavilhão desportivo da freguesia. A funcionária, perdão, a assistente operacional, informou-nos que não havia nenhuma sala disponível para instalar a biblioteca. Não entrámos.
Biblioteca C – a escola sofreu obras, mas já estão terminadas. As instalações estão quase prontas para a inauguração. A biblioteca é ampla, com muita luz, os móveis ainda estavam embalados mas iam arrumar tudo nessa tarde.
Agora, adivinhem que biblioteca me calhou na rifa.

