Lições dos mestres
Quaisquer que fossem as minhas expectativas ao iniciar este mestrado, elas saíram goradas. Se ficar mestre com isto, será à custa do meu esforço individual, de muitas leituras e trabalho de investigação. Os meus mestres gostam muito do som da própria voz, não dão aulas, divagam em voz alta. Para não acharem que exagero ou que sou hiper-crítica, dou-vos um exemplo: o prof. de determinada cadeira, passou 4 horas a ensinar como usar o Google, outras 4 a explicar como usar o Moodle (na óptica do utilizador) e hora e meia a rever o que tinha dado nas aulas anteriores. Temos agora de fazer um trabalho de 10 páginas onde aplicamos o que aprendemos nas aulas(?). Vou fazer um trabalho sobre pesquisa no Google e utilização do Moodle?
O que custa é começar…
Conta certa lenda que estavam duas crianças a patinar num lago congelado. Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo quebrou-se, uma delas caiu e ficou presa na fenda que se formou. A outra, vendo o seu amiguinho preso e congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que tinha acontecido, perguntaram ao menino:
- Como conseguiste fazer isso? É impossível teres conseguido quebrar o gelo, és tão pequeno e tens mãos tão frágeis!
Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Como?
- É simples – respondeu o velho. - Não havia ninguém à sua volta para lhe dizer que não seria capaz.
Recebido por mail (adaptado)desmaravilhada
Ouvi esta metáfora há poucos dias e transcrevo-a aqui porque, ultimamente, representa-me, sou-me o coelho branco da Alice, sempre apressada, a conferir constantemente o relógio, a correr de um lado para o outro sem chegar a lado algum.
Súplica
Venho, por este meio, pedir encarecidamente aos meus vizinhos bloguistas que não escrevam mais nada, que ponham os seus blogues na pausa, que evitem os faits divers, que se inibam de pensamentos construtivos, que ignorem as histórias engraçadas, que não leiam notícias, enfim, que vivam uma vida monótona e desinteressante, até eu ter tempo de ler todos os posts atrasados. Já só me faltam 172
Obrigada!
P.S. É um pedido razoável, não é?
sapo sapato
Os colegas do apoio costumam trabalhar com os meninos na biblioteca. O espaço é tão pequeno, que mesmo não querendo, sigo a aula toda.
Hoje, dois meninos trabalhavam a letra S. A Sara tem um sapato. O sapato está na sala. O sapo viu o sapato. O sapo salta atrás do sapato. Lia um. O outro bufava à menção da palavra sapo. Vou-te bater lá fora. Estás a dar-me azar. A professora primeiro ignorou, depois não se deu por achada. Mas que é isto? O que se passa? Porque estás tão nervoso? É aquela palavra que ele está a ler. Mas que palavra?!… Sara?!… Sapato?!… Não,… a outra. Sapo?!… Essa, essa. Se a minha mãe tiver azar a culpa é tua. Vou-lhe dizer que a culpa é tua. Está bem, diz-lhe que a culpa é minha por ler o que está no livro. É só uma palavra, Zé!

Às moscas
Para além da biblioteca A, também dou apoio, uma vez por semana, à biblioteca D (não referida anteriormente). A escola é pequena, só tem duas turmas. As instalações são novas, a biblioteca foi toda equipada, mesas, cadeiras, estantes, sofás, uma televisão e um leitor de DVD, só se esqueceram dos livros (ah, e do cabo para ligar o leitor de DVD à televisão), pormenores! Faço 20 quilómetros para lá chegar por uma estrada em mau estado. O porta-bagagens vai cheio de livros. Sou a biblioteca itinerante deles.
Hoje quando cheguei, fiquei desconsolada. A biblioteca estava tal e qual a deixara na semana anterior: as mesas afastadas para um canto, as cadeiras no centro da divisão, tudo preparado para eles assistirem a um filme. Mas o pior era o lixo. As cadeiras sujas, como se alguém lhes tivesse posto os pés em cima, as mesas com restos de borracha e riscos de lápis, e o chão, bem o cheio estava cheio de… moscas! Todas mortas, é verdade, mas eram moscas. Fiquei logo desorientada. A escola A funciona em instalações provisórias, bem velhas e usadas, mas está sempre limpinha. Chamei logo a atenção a uma assistente operacional que não aceitou de bom grado o reparo. Bellinha, Bellinha, precisas de ser mais diplomática, ou ainda te voltas a “tramar”.
Às moscas também têm andado este blogue por falta de tempo para o actualizar.
35, 29, 27, 26
Ninguém sabe quantas horas um professor bibliotecário deve ter marcadas no horário. A RBE é vaga, apenas refere que são 35 com espaço para reuniões e trabalho individual. Isso deixou lugar a diferentes interpretações por parte das escolas que marcam 29, 28, 27 ou 26. Outras ainda, a minha incluída, querem marcar as 35. Ora com 35 horas marcadas no horário, teríamos de cumprir 7 horas diárias, ou seja, um horário das 9 às 17. E se tivéssemos uma reunião às 17? Pagavam-nos horas extraordinárias ou muito simplesmente não íamos? Fomos negociar com a direcção e conseguimos as 26 semanais. Um professor bibliotecário que tenha ficado num agrupamento com poucos alunos tem 13 horas de biblioteca, meio horário, nós que estamos a tempo inteiro temos 26, parece-me lógico.
Pó dos Livros

Vista geral da biblioteca A, a minha, antes de lhe pôr as mãos.
Tenho um pouco de dificuldade em explicar o que faço o dia inteiro, o trabalho parece que não rende e cada vez há mais para fazer.
Esta semana, a terceira, procedemos à entrega dos livros aos alunos do 1.º ano; continuámos a selecção de documentos a adquirir, há dificuldade em encontrar material não livro e, claro, temos de nos refrear na compra de literatura infantil (as diferentes classes devem ficar equilibradas) e reorganizámos o espaço de uma biblioteca e meia.
Fico triste, mas tento não o deixar transparecer, quando visito as outras bibliotecas a cheirar a novo, com móveis bonitos e coloridos. Para o ano, a minha também estará assim, mas por enquanto está como vêem na fotografia. Há muito a fazer, antes da “inauguração”, a começar pelas cortinas que odeio, a continuar nos computadores do tempo dos afonsinos que não trabalham e a terminar nos livros. Ai, os livros! Há de tudo ali, tudo misturado, a história com as ciências, a literatura com as artes e lá no meio aparecem livros para adultos (não esses que estão a pensar, os outros de Aquilino ou Eça). Passei a manhã de volta das estantes e saí de lá com as mãos pretas e os pulmões cheios de pó, é o chamado pó dos livros (não, não é a livraria).
Segunda semana
Numa palavra: cansaço.
A começar a semana uma desilusão. Visitámos pela segunda vez a que vai ser a minha biblioteca e descobrimos que servia para tudo menos lavar a loiça – sala de reuniões, reprografia, sala de apoio, sala de expressões, auditório,… As colegas não têm outra sala de trabalho. Como vou transformar aquilo numa biblioteca?
A semana passou a correr, entre preparação da entrega de livros aos alunos do 1.º ano, reunião geral, reunião de departamento, reunião da equipa da biblioteca, selecção de livros a adquirir,… Jornadas das 9 às 17, sem tempo para descansar.
No meio disto tudo, fui ao médico e descobri que tenho o colestrol elevado.


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