Pelos cabelos
Um vizinho contou à minha mãe um episódio passado no barbeiro. Quando estava a cortar o cabelo, entrou um homem que perguntou ao barbeiro se lhe tinha guardado o que ele pedira. O barbeiro aquiesceu e foi buscar um saco cheio de… cabelo!
E para que queria o cabelo? Para fazer um capachinho e esconder a calvice? Não. Para encher almofadas? Não.

Era para afugentar os javalis!! Será que estes bichos não gostam de cabeludos?!
Os pelos de javali são muitas vezes utilizados para fazer escovas para o cabelo… Mas não deve ter relação.
Provavelmente o homem queria os cabelos para fazer um espantalho capaz de assustar os bichos.
A sério?? Bolas!
Tinha imaginado mais??
Julgo que a história pede uma interpretação terra a terra, mas deixe-me contar-lhe uma história que o seu “Bolas!” me fez recordar (se a interpretação deve ou não ser terra a terra fica ao seu critério):
Um professor chegou a uma aula do 11º ano e com um pedaço de giz fez um pontinho no quadro. Depois perguntou à turma: “o que é isto?” Atrapalhação geral. “Deve ser uma pergunta armadilhada”, pensaram os alunos. Instalou-se um silêncio pesado.
Dois longos minutos depois, um aluno respondeu: “Stôr, isso é um ponto.”
Os outros alunos suspiram de alívio.
O professor disse “está certo” e os outros alunos voltaram a suspirar de alívio.
Mas, depois de uma hesitação, o professor acrescentou:
“Esta manhã fiz a mesma pergunta numa turma 1º ano do ensino básico e as respostas foram mais variadas e… interessantes! Um aluno disse que era o olho de uma serpente, outro disse que era o buraco do cano de uma espingarda vista, um outro falou no buraco de uma fechadura… Disseram também que podia ser o umbigo de um dragão, a cara de uma bruxa vista ao longe ou uma impressão digital esborratada.”
Perante estas palavras os alunos do 11º ano começaram por ficar um pouco espantados e atrapalhados com o carácter desfavorável da comparação. Minutos depois, após o professor ter pedido que reflectissem em voz alta acerca do sucedido, começaram a olhar para os relógios.
Magnífica história, Carlos!
Os alunos do 1.º ciclo ainda não estão formatados e normalizados como os do secundário. Para eles a imaginação voa livre, coabitam com o fantástico, tomam o pequeno-almoço como maravilhoso.
Quanto aos javalis e ao cabelo, não sei se será possível fazer um espantalho, ou se essa era a intenção do cliente. A mim, quer-me parecer que iria espalhar o cabelo pela sua propriedade, que os javalis não apreciam o cheiro. Mas esta sugestão parece-me disparatada, o vento acabaria por dispersar o cabelo e o cheiro eventualmente desapareceria.
É pela história do carlos e por muitas que acontecem comigo que eu gosto do 1.º ciclo…
Quanto ao cabelo afugentar os javalis, não fazia ideia!